quarta-feira, 1 de abril de 2015

SUCESSÕES DO AXÉ II



      O Ilê Axé Opô Afonjá é a casa de Ketu que foi fundada por Mãe Aninha, em 1910, depois de sua disputa à sucessão no Ilê Axé Iya Nassô Oká, conhecido como Casa Branca do Engenho Velho.  Esta casa de referência religiosa teve até hoje cinco Iyalorixás no comando, num sistema de escolha pelo Santo. E não por descendência cosanguinea propriamente dita. 
      Esta também é uma casa de referência cultural pois, sempre está citada em movimentos sociais na Bahia e mesmo no mundo. Sua atual Iyalorixá é, inclusive, apontada na academia brasileira de letras, Mãe Stella de Oxosse, uma mulher culta que trouxe muitas mudanças e atualizações, sem quebrar tradições para a casa que comanda. Vide: Matriarcalidade Religiosa.


1. MÃE ANINHA

     Funda o Ile Axé Opô Afonjá, após questões filosóficos religiosas na Casa Branca do Engenho Velho, desencadeada depois da morte de sua Iyalorisa Marcelina Obatossi. Mãe Senhora conta que Mãe Aninha foi iniciada ao Orixá Afonjá, depois da morte de Mãe Marcelina Obatossi, sendo então iniciada por Tia Teófila e Tio Joaquim do Banboxê. Era antes disso de uma nação chamada Grunci, com as suas próprias divindades, se iniciando depois para os Orixás do panteão yorubano (Afonjá/agodô). Seu período de regência foi da fundação da casa em 1910 até 1937, com sua morte.

2. MÃE BADA DE OXALÁ

       Já com idade avançada Mãe Bada dirige o Ilê Axé Opô Afonjá, enquanto os orixás escolhiam a próxima pessoa para sentar na cadeira.  Mãe Bada era um tipo de conselheira de Mãe Aninha, a pessoa em que mais havia cofiança para dirigir as questões litúrgicas no ilê, visto que sua sabedoria era muito grande e influência também. Mistura entre o iorubá e o português e tinha habilidades políticas e conhecimentos religiosos que permitiram que outros terreiros se reerguessem também com sua ajuda. Como o caso da Casa de Oxumarê, cujos descendentes chamam seu Orukó em rituais até hoje, em grande respeito à essa senhora que em pouco tempo deixa o Aiyê e parte para o Orun, depois de assumir a direção da casa. Sua regência compreende o período entre 1939 até 1941.


3. MÃE SENHORA

      Mãe Senhora é a Iyalorixá que a casa de Afonjá estava esperando. Inicia seu posto religioso em 1942 e finaliza sua vigília no ano de 1967, quando estava com seus 76 anos, quase todos dedicados aos orixás e o desenvolvimento da religião no Brasil. Uma das maiores Iyalorixá do Brasil que foi capaz de imprimir suas características na Casa Religiosa, características que sobrevivem até hoje.
       Por ser uma mulher de inteligência sem igual, desenvolveu suas habilidades politicas e fez grandes amizades influentes, que vão do Presidente da Republica vigente, Getulio Vargas, até Pierre Berger, um fotógrafo francês que se apaixonou pela cultura negra e escreveu sobre as tradicoes. Pierre Berger foi o mensageiro das famosas Cartas de Mãe Senhora que buscava um contato com a familia Real Religiosa na terra de origem dos Orixás (Nigéria e Benin).
     Mãe Senhora conquistou feitos e sabedoria (registrada) que deixou legado nas tradições iorubanas no Brasil. Mais para frente, este blog falará sobre os feitos e legado de uma das Maiores Iyalorixá, que ainda criança foi inciada para o Orixá Oxum. Honrando o posto de Mãe, de dona da Sabedoria e Política, característica muito comum das maiores Iyalorixás que o Brasil teve, as filhas de Oxum!


4. MÃE ONDINA/ MÃEZINHA

      Iyalorixá que assumiu o posto depois d morte de Mãe Senhora. Foi iniciada ao Orixá Oxalá pela própria mãe Aninha, fundadora do Axé. Se manteve pouco tempo na cadeira, veio a falecer em 1975, ou seja, com apenas 6 anos de regência, faleceu aos 59 anos.
      Antes de se tornar a Iyalorixá da casa vivia o cargo de Iya Kekerê, a primeira da Casa de Afonjá de Mãe Aninha. Pai Nezinho da Muritiba e o Babalaô Agenor de Miranda foram as pessoas, dentre outras, que a sentaram na cadeira do Axé. Porém, vinha sofrendo há tempos do coração, nas palavras de Mãe Stella e, em pouco tempo, faleceu.

5. MÃE STELLA DE OXOSSE

    Atual Iyalorixá da casa do Afonjá, a qual rederei varias homenagens no decorrer da existência deste blog. Mulher "de fibra", inteligente, autora de varias obras e grande dama do candomblé, respeitada e valorizada por todos, de um carisma sem igual.  Trouxe varias reformas necessárias ao candomblé deste axé, sem desrespeitar as tradições. Uma de suas mudanças está em ter homens dançando na roda da casa, quando anteriormente isso não acontecia.  O Ilê Axé Opô Afonjá não é uma casa que exclui os homens como se faz evidente no Gantois e Casa Branca.
       Ainda falaremos de alguns dos feitos de uma das maiores Iyalorixá do Candomblé.

                                                    TATTO BARROS



Nenhum comentário:

Postar um comentário