quarta-feira, 15 de julho de 2015

QUESTÃO LINGUÍSTICA

As Baianas - Carybé


Segundo Vygotsky, um pensador pedagógico do início do século XX, o estabelecimento e a aquisição do conhecimento se dá de forma social, já que o homem é social por natureza, ou seja, se estabelece em comunhão. A vida religiosa dentro das Tradições de Ketu não foge à essa regra. A construção do eu e o papel a ser desempenhado dentro da comunidade se dá pela observação dos outros, na cópia das posturas e dizeres e assim, acontece o sucesso espiritual no agrado às Entidade louvadas e felicidade estabelecida por se tornar com o tempo modelo para aqueles que estão entrando na comunidade/religião.
O Sucesso espiritual acontece quando tecemos uma rede de conhecimento, em reverência àqueles que vieram antes de nós, sendo eles nossos mestres e exemplos. Toda essa gama de conhecimento está relacionada aos hábitos inerentes ao Candomblé Ketu, como a língua, a dança, as lendas (itan), vestimentas, posturas e etiquetas gerais.
A priori, o que observa-se com veemência ao entrarmos no ambiente religioso é a linguagem estabelecida, além das vestimentas diferenciadas. O Iorubá é a língua vigente, no qual se misturam palavras em português, como que soltas e  tatuadas na gramática religiosa. Um simples “- Oi” é respondido ou antecedido da expressão “- Motumbá” que logo se faz respondida por “- Motumbaxé , Motumbá”, criando um ambiente assim propicio para aquisição de uma segunda língua de maneira concomitante com os outros aspectos comportamentais referentes à religião.
Isso porque, todas as rezas e cânticos tradicionais se fazem nesse idioma, considerado sagrado e, logo, a forma pela qual os orixás se comunicarão ou mesmo ouvirão as súplicas e as adorações de seus fiéis. Com o tempo, o iniciante, Ìyàwó, vai desenvolvendo suas relações com a língua, por meio das cantigas e suas traduções, cujos mais velhos se deliciam em explicar e fazer o iniciado experienciar o néctar dos deuses em forma de conhecimento que é supervalorizado dentro das casas religiosas, afinal, conhecimento associado com tempo de iniciado significa posto, postura e sabedoria. Principalmente, para aqueles que souberam beber da fonte de seus mais velhos e com muita educação e respeito (rumbê), ouvir e assimilar toda a carga de informações que serão relevantes no futuro e, como uma corrente, passadas para os mais novos, não deixando a tradição morrer. Afinal, o candomblé não tem um livro sagrado que fomenta e regulamenta o rito. As leis e tradições são passadas de forma oral. O que cria ainda mais a mágica do segredo. E, é por isso que buscar informações na internet e comunidades virtuais, no afã de aprender ‘axé’ é o mesmo que buscar pães no hospital. Candomblé se aprende com presença, aliança, dedicação e merecimento.



ÈDÈ YORÙBÁ


O idioma Iorubá é tradicional, hoje, em algumas regiões da Nigéria, falado também em alguns locais subsaarianos, também Benin e Togo, e pelos religiosos de tradição Ketu/lucumi. Idioma tonal e apresentado no mesmo sistema que o português e o inglês, no tocante à gramática, o sistema SVO (Sujeito- Verbo – Objeto).

Possui as mesmas letras do alfabeto português, excetuando, C, Q, V, X e Z.  Com acréscimo das letras Gb (som de B, com estalo), E (som de É aberto), O (Som Ó aberto), S (som de X, CH).



A importância do idioma é tamanha, visto que, é por meio da boca que reza que as entidades são invocadas, que os Deuses dançam e que toda a religião se faz, a boca que reza é sagrada, portanto, aquele que porta a palavra deve ser tratado e, o é, com muito respeito e esmero. Ignorar a importância de estudar e se dedicar ao aprendizado do idioma é o mesmo que abdicar da compreensão de fazer o que faz e aprender o que faz e porque faz. 

Uma vez, um homem muito sábio me disse: "- Se não faz sentido, está errado. Candomblé tem que fazer sentido, menino!" 
Hoje eu digo a ele: A benção Pai!







 TATTO BARROS

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A VIDA RELIGIOSA



     Talvez, o que há de diferente nas religiões afro brasileiras, em comparação com as famosas e conhecidas religiões do mundo, seja o resgate de si mesmo, ao qual cada um está exposto, a introspecção e o desejo suntuoso pelo bem-estar e estar-bem na vida física. Não há uma busca opulenta pelo outro mundo, pela pós-vida, os acontecimentos buscados são para agora, são necessidades imediatas, nesta existência, pois, ela encerra em si mesma toda glória ou esquecimento.
     A glória se dá pela memória dos que ficam, quando os feitos daqueles que já se foram são mais que considerados pela sociedade vigente. Assim, toda vez que for necessário louvar/saudar determinado orixá, também será feito pela invocação daqueles que a este foram iniciadas e, partiram para outro estágio da vida. Além do corpo físico.
     Está lembrança memorável se dará pela invocação do nome religioso que cada um angaria quando é iniciado nos "mistérios do mariô" (Màrìwò). Nas rezas do obi, por exemplo, onde os ancestrais são chamados para ouvir e mesmo inferir e transmitir a mensagem dos deuses. Os ancestrais louvados e chamados são as pessoas que, para o invocador, se fazem importantes, já que construíram um legado e foram para este, mais que professores.
     Já o esquecimento se dará para aqueles que não construíram um legado, não buscaram o enaltecimento do nome, da cultura e nada cultivaram ao outro, de jeito que não serão lembradas por qualquer ato. Ou mesmo se dará para aqueles que construíram suas vidas em caminhos falaciosos. Caminhos estes que se construíram na vergonha da falta de caráter e da mentira. 
     Obviamente, há lados bons e ruins da propagação da fé iorubana, principalmente. Visto que, a tradição jeje (djedje), por exemplo, conseguiu se manter mais fiel às origens do que as demais nações (ketu e angola) cuja propagação construiu a fama, isso porque, toda a expansão 'descontrolada', produziu casas religiosas que são afastadas inclusive ideologicamente de suas matrizes. Nas quais, o culto se perdeu, as tradições se perderam, a cultura se perdeu e, logo a religião se diferencia, de modo danoso para aqueles que buscam angariar o conhecimento e construir a sabedoria afrorreligiosa. 
      Para aqueles que buscam o vestíbulo às religiões africanas, há que se considerar o quão unidas estas se fazem com suas matrizes, que seja, por exemplo, o Axé Oxumarê, Axé Pilão de Prata, o Ilê Axé Opô Afonjá, o Axé Casa Branca ou ainda, o Axé Gantois. Isso porque, a religião estabelece vínculos com os ancestrais e apenas com esse vínculo estabelecido o conhecimento virá. O tempo vivido de religião implica em construção e lapidação da sabedoria, já que por meio da vivência que o conhecimento é transmitido.
      Há todo um sentimento de reserva e segredo nas tradições, devido aos processos históricos aos quais o povo negro foi submetido no decorrer da construção social e suas modificaçoes. Assim, apenas a fidelidade, confiança, tempo, estabelecimento de vínculos darão segurança para que os mestres ensinem os aprendizes.  Por fim, se construirá o laço familiar inerente à religião, com país, mães, filhos, sobrinhos de fé. Cuja hierarquia banha e protege os seus. A palavra de ordem para alcançar os degraus da sabedoria é dedicação, associada com merecimento.




Tatto Barros

quinta-feira, 4 de junho de 2015

RITUAL E SACRIFÍCIO




      Este blog já abordou o assunto "Sacrifício" mas, Mãe Stella de Oxóssi (Sacerdotisa do Ilê Axé Opô Afonjá) escreveu um artigo para o Jornal "A Tarde" de Salvador, como o faz quinzenalmente, cuja a riqueza é difícil de ignorar. Segue este Texto, para apreciação e enriquecimento cultural e religioso.
 
 
 
      "Este é o último artigo que comenta sobre o “corpo religioso” do candomblé, da maneira como ele é professado no terreiro/templo Ilê Axé Opô Afonjá, onde fui iniciada e me tornei iyalorixá. Já foram feitas observações sobre cosmogonia – origem do mundo segundo o povo yorubá; liturgia – cerimônias abertas ao público; dogmas – verdades reveladas pelos orixás, que são aceitas usando-se o critério da fé. Hoje o tema é ritual: cerimônias que se baseiam em mitos que foram sendo transmitidos pelos ancestrais. Nos rituais revivemos passagens importantes dos orixás aqui na Terra e, assim, conectamo-nos com o comportamento deles. Os rituais, através dos mitos, ensinam para nós os comportamentos que devem ser seguidos e os que devem ser evitados. Muitos desses rituais são repetidos em épocas específicas, pois têm que estar em conexão com os ciclos da natureza. É de fundamental importância que os sacerdotes busquem e adquiram esse conhecimento, pois só assim os rituais alcançam todo seu potencial.
      A grande polêmica que fazem com a religião dos orixás é o fato de em alguns de seus rituais animais serem sacrificados. Uma prática que existe desde quando o homem precisa alimentar-se. Sempre foram realizados por muitas religiões, mas que aos poucos foram deixando de existir em algumas. A pergunta é, então, por que o candomblé ainda faz o que, para muitos, é considerado uma barbaridade?
      A resposta é simples: essa religião tem uma profunda relação com o planeta Terra, tanto que suas danças são feitas com os pés totalmente plantados no chão, diferente do balé, que parece demonstrar que os bailarinos, dançando nas pontas dos pés, desejam alcançar o céu. Essa ligação com a terra não poderia excluir a necessidade que o homem tem de se alimentar para sobreviver. Oferecemos aos deuses tudo aquilo que nos mantém vivos e alegres: alimentos, flores, perfumes, água limpa e fresca. Tranquilizo os leitores dizendo que no dia em que os homens deixarem de ter na mesa galinha, galo, carneiro, porco, boi… naturalmente esses animais deixarão de ser ofertados aos deuses. Se um dia o sacrifício humano existiu foi porque as tribos se alimentavam de seus semelhantes. Se a desculpa para crítica de sacrifício de animais se deve ao fato de eles serem seres vivos, gostaria de lembrar que laranja, alface, couve também são seres vivos.
      Afinal, quando arrancamos uma raiz de inhame para que ela faça parte da nossa farta mesa de café da manhã, nem lembramos que sacrificamos um ser vivo. Neste caso é para nos servir de alimento, e quando arrancamos uma flor pelo simples prazer de curtir sua beleza? Gostaria, apenas, que as pessoas que criticam os nossos rituais refletissem sobre o que foi dito anteriormente, com o coração e a mente aber ta, e chegassem às suas próprias conclusões. Não é nosso interesse forçar alguém a crer em nossas verdades, mas é nossa obrigação fornecer subsídios para ajudar as pessoas a ampliarem o conhecimento de suas mentes, a fim de que seus corações possam ficar cada vez mais livres de preconceitos, o que faz com que eles se tornem mais purificados.
       Caso tudo o que falei ainda não tenha servido para que o sacrifício de animais no candomblé possa ser compreendido, quero lembrar que os animais de que o povo se alimenta no seu dia a dia são mortos em série, de maneira cruel, nos abatedouros. Os nossos animais são reverenciados desde que são escolhidos nas feiras livres, até o momento em que são oferecidos aos orixás, quando cobrimos seus olhos com folhas específicas de calma e cantamos a fim de diminuir o estresse que eles possam estar sentindo. Além disso, eles não são animais quaisquer, são escolhidos aqueles que o sacerdote consagrado para esta função percebe que já estão no momento de passar para outro estágio evolutivo. Não matamos o animal, damos a ele um novo nascimento, por isso cantamos: Bi ewe yeje para lala ie, Ògún pere pa = Demos-lhes um novo nascimento, você resistiu à prova, ultrapassou seguramente privações e sofrimentos, você não está morto, está vivo. Somente Ogun mata."
 
 
 
  MÃE STELLA 
 
 
 

terça-feira, 19 de maio de 2015

A DANÇA E A IDENTIDADE



      A mágica da tradição iorubana se dá já no primeiro contato com a religião, quando a música e a dança cumprem seu papel extansiante de elevar o ser humano a um outro patamar de consciência e percepção. 

" Mostrem-me como dança um povo e eu lhes direi se sua civilização está doente ou tem saúde" (Confúcio)

      A dança e a música são características fundamentais e basilares da tradição afro-brasileira, as orações, manifestações, personalidades são todas mostradas por meio dos gestos cadenciados construindo os fundamentos da religião. Segundo o Antropólogo Bourcier (2006), há registros históricos que comprovam a presença da dança ritual na vida do homem por pelo menos 14.000 anos. Sendo essa, o meio pelo qual ele se expressa, se comunica, se liga com a natureza e o espaço ao seu redor. Portanto, de importância sem igual o seu papel, principalmente aliado à religião. Numa relação música-dança, se estabelece a conexão homem-orixá, que o levará à uma possessão, cuja beleza e magnitude encanta a todos os presentes nas festas religiosas.
   

        IDENTIDADE, para o conceito antropológico, significa a manifestação de um mundo particular em que o eu está associado, tendo ligações comuns com o meio. Ou ainda, é o reconhecimento em que o individuo é próprio, conjunto de diversos carácteres que diferenciam e particularizam o individuo. A CULTURA NEGRA, no Brasil, passou por gigantes dificuldades e crescente preconceito, o que dificulta a sua aceitação no meio social extra-afrorreligioso, fazendo com que percebamos que as religiões negra não sejam aceitas como 'dignas' para os padrões cristãos vigentes na sociedade, ou mesmo valores descendentes do pensamento ultra-cristão dos séculos de outrora, como a não aceitação da alma do negro, ou ainda, o negro como objeto de posse.  Porém, ainda que submisso socialmente, a rica cultura africana se misturou intensamente à branca, as vezes, não possibilitando o destrinchar das misturas, indicando a grandiosidade das tradições. Por exemplo, a comida, a dança, os vocábulos, dentre outras. Mesmo que embranquecidas todas essas características pertinentes aos negros se fizeram e se fazem presentes na brasilidade.
        A música e a dança são, em suma, partes integrantes da religiosidade negra. Os movimentos, o modo como se coloca o corpo, a música, a intensidade ou mesmo o volume desta tem representações específicas onde o detalhe constrói a riqueza. As orações são entoadas em formas de cantigas, onde as tradições se fazem, de modo que a cultura e as lições mitológicas que explicam a ritualística. Cada cantiga é composta por melodias específicas que se repetem de acordo com o objetivo de cada uma. Por exemplo, o toque/melodia "Oiê" se faz, sempre para saudar cargos religiosos, os religiosos, as funções religiosas, exaltar os orixás, solicitar bênçãos e sabedorias, dentre outras funções. Sempre se dá da mesma forma, intensidade e melodia variando apenas a letra que se canta. Aliado a esta reza está a dança, há uma dança específica para cada melodia entoada, em que os passos são pouco espaçados, mas os ombros e os braços são as partes do corpo em evidência, já que o pé pouco se move. E, às vezes, é tao complexa a aliança música-Dança que há diversos movimentos específicos para cada melodia, visto que a letra orienta os passos e coreografia. 
        A dança é parte fundamental da formação da identidade da pessoa que faz parte da religião, aprende-se com o tempo e dedicação, como forma de aquisição por merecimento e experiência. Assim, faz parte da formação da identidade religiosa, visto que, teoricamente, quanto mais velho dentro das tradições, quanto mais viveu dentro das tradições, mais sabedoria e conhecimento se agrega e, logo, mais se aprende a dançar. Numa cadência de conhecimento que é tão rico que parece não acabar o aprendizado.



POR QUE SE DANÇA?

 “O mundo está dentro de nossas casas, nas diferentes localidades. Nosso cotidiano é perpassado pelas coisas do mundo” Fonseca (2010, p. 129) 


        A dança é a identidade, nas palavras de Confúcio e Bourcier (já citados), a aplicação da dança e música está associada a manifestação da fé desde os tempos remotos. O candomblé, a umbanda, e outras religiões chamam automaticamente, no êxtase da fé, o movimento do corpo, que acompanhado pela música se faz a dança. Já que os movimentos ritmados representam a arte complexa da dança.
       Porém, a dança ritmada no candomblé está relacionada de maneira coreografada e isso se faz para ensinar o corpo as características de determinados orixás. E mesmo de determinados fundamentos religiosos. Xangô, o orixá do fogo, da justiça, senhor dos trovões, por exemplo, não poderia ter como dança representativa movimentos lentos, doces, sutis. Como o orixá é a manifestação do fenômeno da natureza, tal qual o trovão, o fogo, o vulcão, ele é ágil, brusco, rei, forte e guerreiro. Sua dança (Alujá) vai acontecer com braços arqueados, como que segurando dois machados (oxês), com movimentos rápidos e compassados, sem perder a vaidade que lhe é própria.
      Muitos questionam a necessidade de ensinar o yaô a dançar, visto que, ele já entra em possessão de orixá, então acreditam que a dança deve se desenvolver automaticamente com o tempo. De fato, isso também ocorre, o processo de aprendizagem é constante, a coreografia se aprende vendo e fazendo. Mas, devemos lembrar que a dança é a manifestação do locus em que se vive. NÃO VIVEMOS NA ÁFRICA, portanto o movimento concreto próprio do povo africano e, logo, daquele orixá não se faz presente em nós. Aprendemos porque não possuímos a identidade própria do povo de origem. Por exemplo, aprendemos o Alujá, porque não possuímos as identidades, características e movimentos ritmados naturais do povo de Oyó (Terra de Xangô).
      De maneira geral, percebemos que a manifestação da fé se dá de maneira complexa para a tradição iorubana, mesmo a daomeana. Visto que, a formação constante da identidade e seu conjunto de características se lapidam com tempo e experiência com a música, a dança e a língua que são próprias da tradição de Ketu, de jeje ou de Angola. O movimento do corpo, o comportamento do corpo, o ritmo adquirido pelo corpo e a habilidade com a dança se faz com o tempo e a senilidade religiosa. IDADE É POSTO!



                                                                                                                                   TATTO BARROS

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A INICIAÇÃO - Ligação entre o homem e o Orixá


(Carybé)

A religiosidade se faz de maneira diferente em cada ser humano. A diferença entre os religiosos do candomblé e os demais é que, para aqueles (os do candomblé), a conquista do Sagrado e das bênçãos divinas se dá a todos não pela religião ou pela crença, mas pelo caráter que banha cada cabeça. É partindo desse ponto de vista que, numa questão sociológica vemos a diferença entre estes religiosos, da tradição africana, e os religiosos da tradição cristã e branca, onde nesta o domínio, o sofrimento, a penitência e a necessidade de se findar historicamente esteve relacionada com a precisão de impor seus pensamentos espirituais e criar a teoria de que apenas por ela se dava a salvação.
Não é assim que ocorre no candomblé. Para o Povo de Santo, não nascemos amaldiçoados, não somos banhados pelo pecado, não há inferno e não há juízo final. Ainda para os descendentes iorubanos não há demônio, lúcifer, diabo ou qualquer coisa afim. Dentro da tradição da cosmogonia iorubana, percebe-se que a escolha entre o certo e o errado, cabe a cada um, em sua individualidade e subjetividade, conceituada como Ori, não havendo influências de um ser superpoderoso e inimigo de Deus.

Assim, a tradição se faz.


INICIAÇÃO AO ORIXÁ

Popularmente chamado de Fazer o Santo, por isso a denominação povo de santo, a iniciação é pura manifestação da vontade de uma pessoa que conheceu a religião e ali encontrou seu espaço e sua necessidade de prática da fé. Quando conversamos com os iniciados, eles revelam que a feitura foi uma necessidade espiritual, outros revelam que foi por amor e há outros que revelam estar cumprindo um destino.
A relação entre destino e a necessidade da realização da feitura é uma questão complexa de ser abordada pois, esta geralmente se faz por questões de caminhos de destino, em que cada pessoa, independente se estão ou não na religião, nasceu sobre a influência, a este caminho do destino dá-se o nome de Odú. Assim, num sistema quase que matemático, a primeira vista, para o leigo, a vida da pessoa está traçada e ali está escrita sua necessidade de cumprimento ou não para com a vida religiosa, seja esta onde for.
Aqueles que dizem que a feitura de santo está relacionada com a necessidade espiritual, foram as pessoas que conseguiram alcançar alguma benesse, por exemplo, saúde, quando se iniciaram para o Orixá. (Obs. Esta abordagem está bem ampla, não especifica, com o tempo detalharemos algumas coisas, que não devem ser desconsideradas) 


FUNDAMENTOS DA INICIAÇÃO ESPIRITUAL

Os fundamentos dos diferentes rituais são mais que conhecidos pela humanidade, em todos os tempos, antropólogos da atualidade afirmam categoricamente que tudo aquilo que permeia o ser humano e tem considerável importância, passa por rituais, ou melhor, implicam em rituais de passagem. Por exemplo, o nascimento, o primeiro banho, a primeira roupa, a formação universitária (com o evento da formatura, entrega de canudos, etc). Ou seja, uma sistematização para a marcação da importância de determinada situação.
Acontece que o ritual de iniciação, o vestibular da cultura nagô, está relacionado, de forma intensamente considerável com religar a pessoa, por diversas formas ao passado, com seus ancestrais, com a África, com os Orixás. É uma passagem que será um marco para aquilo que caberá ao iniciado fazer a todo instante de sua vida, reconexão com passado e com o interno. A expansão nesse caso, caberá por acontecer para trás e para dentro e o ápice se dá quando o neófito é capaz de perceber o porquê dessas ações.


PARA TRÁS E PARA DENTRO

“a maior parte das provas iniciáticas implicam de maneira mais ou menos transparente, uma morte ritual se seguiria uma ressureição ou novo nascimento. O momento central de toda a iniciação vem representado pela cerimônia que simboliza a morte do neófito e sua volta ao mundo dos vivos. Mas, o que volta a vida é um homem novo, assumindo um modo de ser distinto...” (Mircea Eliade. 1958, p.12).
Para entender o processo de iniciação das tradições iorubanas, precisamos a priori, resgatar os conceitos de Orixás. Estes são os Ancestrais Divinizados, que podem ser classificados em dois grandes grupos: Aqueles que viveram a condição humana e aqueles que nasceram divinizados. Portanto, quando se classifica a tradição como uma necessidade de resgate do passado, uma reconexão com aqueles que já estiveram aqui, se explica a necessidade constante do voltar e olhar para trás pois, ali se encontram as fontes de bênçãos e sabedorias para os crentes da religião afro-brasileira.
Por que para dentro? Simplesmente porque o processo ocorre por internalização física e emocional. De maneira complexa que a tradição e os segredos impeçam que seja abordado, ocorre a internalização do axé, palavra que em ioruba expressa, entre outras coisas, força. Quando ocorre a iniciação do neófito, o rito de passagem em que ele deixa de ser um abiã e passa a ser um Ìyàwó, este tem o dever de internalizar todas as lições e a se adaptar com algumas expressões da língua estrangeira que até então o era estranha. Aprende a rezar, aprende postura, aprende todas as regras que lhe são cabíveis para se tornar um bom iniciado, aprendendo com os seus erros e com o exemplo de seus irmãos mais velhos (Egbon).
                                                     


A VIDA DO ÌYÀWÓ  / A VIDA RELIGIOSA


                A palavra iorubana Ìyàwó tem como tradução a palavra Esposa, depois da feitura de suas obrigações religiosas caberá a este zelar pelo santo com o qual casou, aquele ao qual foi apresentado, aprendendo assim tudo que lhe for possível para cumprir  sua aliança.
                Há diversas críticas para serem apontadas às pessoas que fazem parte da religião hoje, porém estas são muito pequenas perto do brilho e da grandeza que a cultura negra tem a acrescentar no mundo. Infelizmente, hoje se perde muito com o silêncio dos mais antigos, o que é tremenda covardia e falta de amor para com a permanência das tradições. Em contrapartida, há aqueles que estão na religião mas, não fazem parte dela, o que significa que, são cruéis pois, suas presenças, em quaisquer que sejam as religiões são danosas. Isso porque, criam e vendem ilusões, sujam o nome das tradições com pseudo-sabedoria, deturbam dos preceitos e enojam os mais velhos, fazendo-os deixar de ensinar àqueles que amam a religião.
                Numa visão bem mais profunda, podemos dizer que o Candomblé não é apenas uma religião, mais do que isso é uma cultura, uma filosofia e uma tradição em que nos abençoamos e reconectamos com o sagrado. Os deuses nos abençoam com suas presenças, dançam e contam suas sagas e assim se faz a magnitude. A valorização do mais velho é mais que perceptível, já que nem na altura física destes, os mais jovens (não de idade civil, mas de idade religiosa) devem permanecer. Cabem a eles se prostrarem aos mais velhos em sinal de respeito, ainda com sinais de humildade e respeito às tradições cabe a eles se deitarem no chão (expressão conhecida como bater cabeça). Toda essa mágica se dá de maneira muito mais aprofundada e explicada, que ficaríamos páginas e páginas analisando.


Prox: Orixás, Ori, Odu!


 Ìwà (pèlé) nìkàn l’ó sòro o
Caráter (reto) é tudo que há!

OBS: Não sou douto em Iorubá, não falo o idioma, as palavras que pertencem a este são escritas da forma mais ‘aportuguesada’ possível para facilitar a leitura. Há blogs que ensinam o ioruba, a grafia coerente e tudo mais porém este não tem essa função!


TATTO BARROS

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O SACRIFÍCIO: Entre a Religião e a Sociedade

                                                         (Pierre Verger, Salvador-BA - 1946- 1953)

     Não se pode exigir que as pessoas sejam capazes de enxergar esse momento como Sagrado e, como tal, digno de toda a proteção do Estado e da Humanidade. O sacrifício animal é olhado, principalmente para os cristãos, como algo relacionado às malignidades e a desumanidade, já que a vida ali é extraída, para eles, com objetivo apenas de alimentar um sagrado que não atinge a benignidade na sua visão. Ou seja, quando o Deus de Abraão pede é divino, quando o Orixá, deus africano pede, demoníaco. Mostrando assim, a anencefalia cultural vigente em nossa sociedade.
"Depois faça um altar para o Senhor, o seu Deus, no topo desta elevação. Ofereça o segundo novilho em holocausto com a madeira do poste sagrado que você irá cortar" (Juízes 6:26)
"Se não tiver recursos para oferecer uma ovelha, trará pela culpa do seu pecado duas rolinhas ou dois pombinhos ao Senhor: um como oferta pelo pecado e o outro como holo­causto. (Lev 5:7)
    
     Há, nas passagens bíblicas, seguidas pelos Judeus, Cristãos e mesmo pelos muçulmanos, que apontam para a necessidade do sacrifício, superado ou não pelos tempos. Mas, a visão dessas religiões diante do sacrifício em nada acrescentam para o Candomblé e religiões africanistas, que vieram muito antes da chamada organização religiosa em si. O sacrifício, palavra que remete a Sacro Ofício, trabalho sagrado, consiste na reparação e oferta à natureza de tudo aquilo que ela nos fornece. A estrutura teológica do candomblé e religiões anexas se dá de maneira muito mais complexa do que parece.
    
“(...) os Pretos divididos em Nações e com instrumentos próprios de cada huma danção(...)”
    Essa passagem consta numa carta de José da Cunha Grã Ataíde de Mello, o conde de Povollide, para o Rei de Portugal em 1780. Pode-se facilmente perceber que o povo negro tem suas divisões religiosas e complexidades que os diferenciam e juntam na mesma proporção e a dança os une. Em Luis Nicolau Parés (1960-70) se pode destacar também a preocupação do povo negro para com "sustentabilidade da vida neste mundo". Assim, a oferta à natureza cumpre seu papel, pois, cabe a ela o reequilíbrio e a reconexão dos seres presentes com o sagrado energético, os orixás são os símbolos prioritários das forças da natureza que se manifestam com danças e músicas. Sendo o alimento um dos laços estabelecidos com a humanidade pois, através deste nos mantemos vivos então, é por meio deste que o sagrado se faz em nossa existência.

PARA QUE O SACRIFÍCIO?
    
     A imolação dos animais, oblação, é feita no afã de energizar, dar vida à uma energia sobrenatural, objetivando fazê-la presente na terra. Em Os Nagô e a Morte, de Juana Elbein, lê-se que o sangue contem todos os elementos necessários para a manutenção da vida.
    A principal crítica da manutenção das ritualísticas está associada com a necessidade de, assim como os cristãos, abolir a prática por motivo de evolução social, porém vem à mente perguntas como:
- Já aboliu os alimentos de origem animal de sua mesa?
- Come Ovos? Usa peles ou Couro?
- Bebe leite? Come queijos?
- Vai em churrascarias? Come em qualquer restaurante?
- Frango? Peixe? Boi? Carnes Exóticas?
     Se a resposta para qualquer dos questionamentos acima for SIM. Falar em oposição ao sacrifício animal é pura Hipocrisia, mostrando mais uma vez aquilo que é digno do ser humano: O preconceito enraizado, enfaixado e maquiado contra o negro e suas tradições. Criticar a oblação enquanto está com o estômago cheio de comidas de origem animal é a mais completa falta de bom senso e intelectualidade que o humano pode atingir.
    Ainda assim, restarão perguntas que são eficientes caso as leis passem a ser vigor social, quando houver (Se houver!) proibição do Ofício Animal dentro das tradições africanas devido aos clamores sociais (dos cristãos e anexos). Haverá também o fechamento de empresas que ofertam/abastecem o mercado com carnes? Daí entram outros fatores, os econômicos, que doerão no bolso, mesmo daqueles que clamam pela Liberdade Animal.
"A filosofia do candomblé não é uma filosofia bárbara,e sim um pensamento sutil que ainda não foi decifrado"
(Bastide, 1978).
 
 
ANIMAIS e FATORES RELIGIOSOS
 
 
 
     Os animais que serão ofertados aos deuses devem, em suma, compor àqueles que são servidos às mesas. Porque nada dele deve ser dispensado, tudo aquilo que vem do animal deve ser ofertado à sociedade para o consumo: a pele, a carne, os ossos, etc. Uma vez que haja o desperdício se ofendem as leis sagradas da religião. É por isso que os animais em extinção, ou silvestres não devem ser sacrificados, uma vez que não compõe o paladar da comunidade ou se farão ausentes na natureza, o que também ofende o sagrado.
     A definição de partes sagradas e uso delas não devem ser aqui escritas, em respeito às tradições. Mas, a valorização da vida do animal se dá em todo o instante, não há uma animalização do culto, ou mesmo culto ao sofrimento do ser, em todo o momento a dignidade das vidas é tida como valor primeiro. Dará, espiritualmente, força para toda comunidade e isso será representado quando todos comerem a carne, matéria física e representativa do axé!
     Óbvio, que falar de sacrifício é uma questão complicada, há aqui milhares de fatores que deixei de apresentar, que mais para frente poderemos abordar.
 
 
 
"(...) O sacrifício de animais nos terreiros dá-se numa forma milenar de cultura que não separa o divino, o humano e o natural nem mesmo no sofrimento. No sacrifício há uma única pessoalidade em metamorfose e renascimento. Por estarem congregados numa unidade, o sacrifício é um momento especial de fusão de destinos e renascimentos em uma unidade simultaneamente animal, humana e divina. O sacrifício só ocorre na medida e quando não há a recusa das três partes que se entregam ao acontecimento cósmico. As acuradas sensibilidades desenvolvidas na religião para o cuidado do animal não podem ser substituídas por técnicas veterinárias, porque aquelas são mais antigas, sensíveis, mais sofisticadas e sobretudo, abertas a insondáveis dimensões cósmicas (...)"

José Carlos dos Anjos - Prof. UFRGS


 
 
    As palavras do Professor Universitário José Carlos dos Anjos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vem neste momento delicado de tentativas de aplicação de Leis contra os negros e suas tradições, abrilhantar a causa e estender à sociedade um manto de luz que aclara a mentalidade conturbada e escurecida da população, que ainda habita as cavernas de citadas por Platão. Ir contra a ritualística é ir contra milênios de tradição e alimentar o preconceito contra a cultura negra e suas tradições. Desrespeito histórico e antropológico.

TATTO BARROS

segunda-feira, 13 de abril de 2015

SUCESSÕES DE AXÉ III



     Apesar de este ser o terceiro texto de Sucessões, deveria compor uma segunda gama delas (as sucessões). Isso porque, após o falecimento de Iya Marcelina, sucessora oficial de Iya Nassô, suas duas filhas carnais disputaram o cargo da casa. Iya Maria Julia Figueiredo e Iya Maria Julia da Conceição, filhas de Iya Marcelina, disputaram o cargo da Cadeira da Casa. Porém, oficialmente o cargo ficou para a Iya Kekerê Maria Julia Figueiredo, então Iya Maria julia da Conceição se afasta da Casa Branca do Engenho Velho e funda o Ilê Iyá Omin axé Iya Massê, o terreiro do Gantois, em 1849. Talvez, a casa de Candomblé mais conhecida do Mundo, devido suas ações sociais e políticas. 



1. IYA MARIA JULIA DA CONCEIÇÃO

     Iyalorixá fundadora do Terreiro do Gantois. Irmã de Iya Maria Julia Figueiredo, sucessora de Iya Marcelina, no axé Casa Branca. Fundou o Gantois quando a irmã assumiu a cadeira do axé original.
       Iyalorixá era consagrada a Bayanni ('Baini') um santo santo que tem considerável grau de raridade, da familia de Xangô.
         Viveu seu cargo até sua morte em 1910. Vindo a coordenar temporariamente a casa, Pai Jacinto da Conceição.



2. IYA PULCHERIA MARIA DA CONCEIÇÃO


      Iya Pulcheria era filha de Iya Maria Julia da Conceição, ascende ao cargo em 1911*, com certas ressalvas, talvez pelo período de luto ou mesmo preparação para assumir o cargo, enquanto houve esse anexo religioso, Pai Jacinto da Conceição toma a frente de algumas coisas na casa.
      Essa Iyalorixá fez verdadeiras mudanças e ações frente a casa, fazendo seu nome em toda Salvador em pouquíssimo tempo, ganhando o respeito de todos os sacerdotes da Religião. Era consagrada ao Orixá Oxosse.
     Após sua morte em 1918, houveram algumas disputas filosóficas dentro da casa, pois, Iya Pulcheria não teve filhos, comprometendo as regras da descendência matrilinear da casa. Sendo selecionada então, sua sobrinha Iya Maria Gloria de Nazareth.



3. IYA MARIA GLORIA DE NAZARETH

    Iya Maria Gloria,  sobrinha de Iya Pulcheria, também conhecida por ser a mãe carnal de Mãe Menininha do Gantois, assumiu o terreiro após o falecimento da tia. Gerando assim, uma outra linhagem de sucessões dentro da mesma familia, mesmo sangue, da fundadora do candomblé no Brasil.
       Porém, esta vem a falecer antes mesmo que o período de luto da casa se acabe, devido a morte de mãe Pulcheria. Tendo ficado no comando da casa apenas no ano de 1918/1919. Com isso há, um período em que novamente a casa fica sem uma Iyalorixá a frente, sendo as pessoas de cargo a tomar conta do geral, esperando a manifestação do Astral para decidir a ilustríssima dona da Cadeira e do Sumo-Sacerdócio da religião. Que apenas em 1922 vem a se concretizar.



3. IYA MARIA ESCOLÁSTICA DA CONCEIÇÃO NAZARÉ

    Ao mencionar esse nome poucos estabelecem a conexão mas, se trata de nada menos que Mãe Menininha do Gantois, personagem de muitas músicas e rezas populares, senhora de infinita sabedoria de axé, com uma carga de conhecimento sem igual. Dona de uma capacidade política que poucos, ou mesmo ninguém, se iguala. Mãe Menininha era consagrada ao orixá Oxum, é uma das Iyalorixás mais veneradas, muito nem mencionam o seu nome com medo de desrespeitar sua figura, sacerdotisasuas tradições e seus filhos. Era a enciclopédia do candomblé, deixando depois esse epíteto para a Saudosa Mãe (Egbon) Cidália de Iroko. Que com a mãe aprendeu e em respeito a ela, muitos ensinou. Valorizando as tradições.
      Mãe menininha, após o falecimento de sua mãe carnal, recusou o papel de sacerdotisa da casa. Pois, não se sentia preparada e nunca manifestou esse desejo. Decorrido algum tempo com a ausência da Iyalorixá na casa, por decisão dos orixás e incitação de todos os "até então" irmãos, assume a posição e se torna uma das maiores sacerdotisas de todos os tempos. Porém, o mundo perde essa grande mulher, mãe e professora no ano de 1986, em agosto. Decorridos 64 anos de dedicação aos orixás.



4. IYA CLEUSA DA CONCEIÇÃO NAZARÉ

     Ou simplesmente Iya Cleusa de Millet, consagrada ao orixá Nanã, filha carnal de Mãe Menininha. Era uma mulher de muito estudo e dedicação às ciências, se formou em Medicina, se especializou em obstetrícia e após a morte de sua mãe, assumiu a cadeira do Gantois. Exercendo sacerdócio até o ano de 1997, quando veio a falecer.



5. IYA CARMEN DE OSOGYIAN

     Iya Carmem de Oxoguian é filha carnal de mãe Menininha, assumiu a cadeira quando a irmã, Iya Cleusa de Nanã, faleceu, em 1997. Decorrido o período de Luto.
     Iya Carmen sempre foi sinalizada como uma sucessora do axé, viveu dentro da casa de candomblé, e assim foi consagrada com a responsabilidade de ser a Iyalaxé até que assumiu a posição de sacerdotisa do ilê. É a atual Iyalorixá da casa mais prestigiada e respeitada do Brasil.




                                                     TATTOBARROS