PARTE 1
Assim como a Diáspora Negra para o Brasil, a estadia do negro em terra
desconhecida não foi fácil. Isso porque, enquanto objetos, não tinham direitos,
apenas deveres a cumprir como executores dos trabalhos manuais para a manutenção
do poder e vida do homem branco e cristão.
Quando o povoamento do país se deu, o negro, mão-de-obra fundamental do
plantio da cana-de-açúcar, do café, ou mesmo dos garimpos, em busca de ouros e
diamantes, era a base fundamental do sustento da economia. Para tal viviam em
condições subumanas, no qual recebiam apenas o básico necessário para a sobrevivência
(alimentos) com pouco descanso e muito castigo. Oprimido desde sua essência.
Antes ainda, que o Brasil fosse povoado, surgiam as reformas cristãs que
visavam uma livre interpretação dos preceitos bíblicos. Em 1517, Martinho
Lutero lança as 95 teses que modificaria as visões sobre as ações cristãs dali
para frente. Esse movimento protestante ganha forma e força nos mais diferentes
países da Europa e intriga a Igreja Católica que logo estabelece o caos no
mundo.
Com medo das mudanças políticas que o surgimento dos protestantes poderia
causar, a igreja convoca o Concilio de Trento (1545), visando a resolução dos
conflitos e o sufocamento da reforma protestante. Isso foi a chamada
Contrarreforma. Dentre os planos de medidas tomadas pela Igreja Católica, estão
a retomada do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição), a Lista de Livros Proibidos
(Index), manutenção do Celibato e também uma edição nova de Catecismo, entre
outras medidas.
JESUÍTAS...?
Com as novas medidas estabelecidas pela Igreja Católica, a Inquisição e
sua nova edição do Catecismo terão papeis fundamentais para o desenvolvimento, por
meio da opressão, da religião Negra do Brasil.
Portugal, país que colonizou o Brasil, tinha uma estreita relação com a
Igreja Católica e em suas caravelas traziam os padres que, rezavam as missas e
abençoavam a nova terra, “recém-descoberta” que em muito ajudaria a manter a
metrópole fadada ao insucesso. Assim, cabia aos Padres Jesuítas a função da
educação, ou melhor, reeducação dos indígenas e negros aqui no Brasil.
A Ordem dos Jesuítas não
foi, entretanto, criada só com fins educacionais; ademais, parece que no começo
não figuravam esses entre os propósitos, que eram antes a confissão, a pregação
e a catequização. Seu recurso principal eram os chamados “exercícios
espirituais”, que exerceram enorme influência anímica e religiosa ente os
adultos. Todavia pouco a pouco a educação ocupou um dos lugares mais importantes,
senão mais importante, entre as atividades da Companhia.
(LUZURIAGA, Lorenzo.
História da educação e da pedagogia. 7. ed. São Paulo: Editora Nacional, 1975.)
Obviamente, o papel inicial dos Jesuítas se restringia aos aspectos
religiosos, mas sua força política seria logo percebida pela Igreja, pois, eram
os olhos do Papa, que exercia o poder político em nível mundial, sem contar o
poder neles investido pela metrópole, como podemos observar nas palavras de
Azevedo (1976):
(...) educadores, por
vocação, mestres notáveis a todos os respeitos, eles puderam exercer na
colônia, favorecidos por circunstâncias excepcionais, um verdadeiro monopólio
do ensino, a que não faltava, para caracterizá-lo, o apoio oficial que lhes deu
o governo da Metrópole, amparando-os, Gustana sua missão civilizadora e pacífica,
com largas doações de terras e aplicações de rendimentos reais dotação de seus
colégios.
(AZEVEDO, Fernando de. A
cultura brasileira. 5. ed. São Paulo: Melhoramentos/INL, 1976. Parte 3: A
transmissão da cultura.)
O NEGRO NÃO TEM ALMA, MAS O ÍNDIO TEM!
(foto de universoracionalista.org)
De modo que a Igreja precisava da propagação da fé cristã, os
catequizadores começaram por defender, depois de certo tempo, a necessidade da conversão
dos indígenas alegando que, ao contrário dos negros, o indígena tem alma e
assim, como criatura de Deus, precisaria de uma atenção especial e não poderiam,
para tanto ser escravos-objetos de posse. Apenas trabalhar em troca dos
escambos e das aulas sobre a fé cristã com sua posterior conversão. Assim,
começa a ruptura entre a aristocracia da nova sociedade com a Igreja Católica. Mais
tarde, Marquês de Pombal expulsa os jesuítas do Brasil.
(Gustavo Barros)


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