Mostrando postagens com marcador CULTURA NEGRA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CULTURA NEGRA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de março de 2015

MATRIARCALIDADE RELIGIOSA




"E kunle o, e kunle  f’'obirin o. 
E obirin l’o bi wa. 
k’a t’obirin ni, e kunle
f’obirin o. E obirin l’o bi wa o, k’awa to d’enia."


"Prostre-se, Prostre-se para a Mulher.
A mulher nos colocou no mundo
Assim, dela se faz a humanidade,
A mulher é a inteligência da Terra.
Ajoelhe para ela!"


       Este pequeno trecho versado pertence ao Odu Ossá Meji, onde podemos perceber a importância da mulher e suas atribuições dentro dos padrões religiosos na africanidade. Óbvio que o homem tem o seu papel a ser desempenhado, por exemplo, culto de Egungun e os cuidados com os ancestrais masculinos (Essás/ Eguns); mas, todos os demais papéis cabem à mulher com a possibilidade ou não de haver a participação masculina.

      A própria cosmogonia iorubana fala da falha do papel masculino em fazer a Criação pedida pelo Deus Supremo (Olorun). Onde, no mito (Itan), Oxalá teria descido ao Aiyê (Terra física) para deixar o chão firme e possibilitar a Vida. Mas, falha ao cumprir sua missão, pois, no papel de Grande Senhor de Respeito, não agradou o Destino (odu) ou Esu (senhor das comunicações, à quem tudo deve ser dirigido, em primeira instância) o impediu de concretizar a missão dada pelo Pai Maior. Assim, coube a Odudua o cumprimento da tarefa. Ficando a mulher responsável pela criação da Terra e senhora da Criação e doação da vida. Óbvio que esse itan se faz de maneira muito mais complexa do que a forma que citei. (Vide: Igbadu: A cabaça da existência, um livro que fala das relações cosmogônicas da tradição iorubá).



O PODER DO FEMININO: QUESTÕES HISTÓRICAS


      Culturalmente, no final do século XVIII e início do século XIX, o Brasil passa por períodos de descobertas, de busca de uma identidade, que não a portuguesa. Assim, o processo de formação do Candomblé calha justamente com a necessidade de uma reconstrução de identidade do povo brasileiro. Portanto, para que a construção fosse feita, as Princesas e os babalaôs envolvidos no processo de descoberta e fundação do axé brasileiro necessitavam discutir assuntos como: Quem senta na cadeira? Essa expressão significa: quem chefiará a religião? Como será o pontificado, quem será o pontífice, o cargo mais alto e a referência?
   
       Na África, apesar da grande importância do papel da mulher, cabia ao homem a coordenação dos atos religiosos, o REI de determinada tribo, direcionava os cultos e, por vezes, ditava as regras. Cabia a mulher, porém, como mostram os estudos africanos, o transe e as noções de contato maior o sagrado pelo sagrado. Porém, aqui no Brasil esse processo se diferenciou, como já demonstrava acontecer em muitas aldeias africanas. As princesas instauram uma religião Matriarcal e Matrilinear, além de Matrifocal, como podemos observar até hoje no Ilê Axé Iya Nassô Oká e outros.

       Se o público de fiéis que engrossam as fileiras das instituições religiosas é majoritariamente feminino, como explicar que às mulheres ainda seja vetada a participação como ministras ordenadas na Igreja Católica e em um sem número de igrejas protestantes “clássicas” e pentecostais?
                                                                                           (ORTNER E WHITEHEAD, 1981, p. 16 apud SEGATO, 2000, p. 88)
      
      Na citação acima de Ortner e Whitener, podemos entender o porquê as mulheres assumem posições de destaque dentro das Tradições Africanas no Brasil. Foi por meio do sangue real nas veias das mulheres que a religião se fez presente aqui, o axé plantado aqui no Brasil foi irrigado pelas mãos femininas. Devemos então ressaltar que a vida vem do ventre delas, como o axé é físico, vivo e intenso, os itans e rezas mostram que foi do ventre da mulher negra que ele se fez presente. Historicamente, no Brasil, Vagner Gonçalves da Silva, em  sua obra Candomblé e Umbanda: Caminhos da devoção brasileira (1994), cita que outras razões que implicam na inversalidade do que ocorria na África estão na alforria feminina que se deu de maneira mais rápida, porém apesar da liberdade as mulheres negras continuaram empregadas domésticas, cozinheiras e lavadeiras, ou seja, com grande contato com o branco, necessitando para tanto, desenvolver habilidades políticas e dirigir seu povo e cultura, ao mesmo tempo. O domínio das situações políticas fez com que suas habilidades estivessem em evidência, deixando a mulher em posição de destaque, mesmo que submissa ainda à uma política conservadora e preconceituosa na Sociedade Branca.
     
     Estas mulheres podem circular livremente e fazer os mercados das cidades vizinhas ou relativamente afastadas. Como são geralmente boas comerciantes, tornam-se, em pouco tempo, mais ricas do que o respectivo marido e muitas vezes, amealham fortunas consideráveis. O que, no entanto, não dispensa este da obrigação de assegurar a subsistência das suas mulheres e filhos                                                                                                                                                                                                                      (VERGER, 1992, p. 100)

       Nas diversas obras de Verger ainda podemos destacar que outro motivo circunstancial para que a mulher emergisse na posição de poder é seu número elevado, haviam muito mais mulheres que homens livres e elas conquistavam consideráveis posições financeiras, numa sociedade em que tudo cooperava para que isso não acontecesse. Não surgiram assim homens de destaque, com poder e conhecimento. Mesmo, Baba Assiká e Baba Obitikô precisaram buscar conhecimentos das mulheres para que o Candomblé se fizesse no Brasil. Certamente, dois homens com papéis fundamentais no processo de formação da religião de Ketu.
   


A DANÇA, O FEMININO E O ENCANTO



       Na minha época, eu nunca vi homem dançando
(Iya Stella de Osossiy)

       A dança é parte integral da religião, não se trata de mito, ou mesmo de parte social. Mas, faz parte integral do que é, de fato,  Axé. No Ilê Axé Opô Afonja, homem nunca fez parte da Roda (onde o rito sagrado da dança acontece), foi Mãe Stella que os acrescentou nela, mostrando uma certa abertura para a participação masculina no ato sagrado.

"As danças constituem uma evocação de certos episódios da história dos deuses. São Fragmentos de mitos, e o mito deve ser representado ao mesmo tempo que falado para adquirir todo o poder evocador" 
(Batiste, 1978:22) 

        Obvimente, faz parte da integralidade da Iniciação para religião, aprender a dançar, cantar e rezar os atos religiosos, mesmo para o homem (Iyawo ou Ogã). Mas, parte da roda de santo, o homem se ausenta do meio do salão para que as mulheres se façam presentes. E apenas retorna ao Salão na Roda de Xangô, onde ocorrerá a "reza" que elevará todos ao transe/possessão. Ao abrir o espaço para os homens, mãe Stella quebra um tabu porém, atualiza, de maneira necessária, alguns conceitos religiosos.

          Tabu social também é considerar a dança uma questão masculina, um pensamento complicado para a sociedade ocidental e cristã que sempre atribuiu essa 'função' à mulher, desde os primórdios históricos, sendo a dança um caráter feminino. Somando essas questões com o extremo exercício feminino na religião, conseguimos perceber que  manipular o conhecimento da dança, para mulher, também significaria ter o conhecimento da religião em si. Já que, nas palavras de Batiste (1978) a dança guarda o registro das passagens do deuses louvados, bem como sua magística. 



MATRIARCAL, MATRIFOCAL, MATRILINEAR E MATRILOCAL


    
      Começando pelos conceitos, de maneira geral, podemos dizer que matriarcal é sociedade que possui matriarcalidade, ou seja, onde a mulher exerce o domínio social e econômico. Matrifocal, palavra que alavanca a importância do papel da mulher dentro da sociedade, assim, uma sociedade matrifocal é aquela em que a valorização é explícita e elaborada sobre o papel da mulher, a mulher assim, tem os recursos totais das decisões.

         Já a sociedade cujo poder é matrilinear deixa claro que, aquela que assume o poder é a mãe e na ausência desta, sua filha exerce o mesmo. Portanto, relação de poder onde somente a mãe é considerada. Matrilocal, etnologicamente, é a sociedade em que quando o casamento ocorre, o homem deve morar com a família da mulher e, integrar o grupo dela.

    Essas são as quatro palavras que resumem a religião iorubana tradicional em seu início no Brasil. Basta que pesquisemos as biografias e as sucessões da 'cadeira' de axé nas casas principais!


TATTO BARROS




      
        
SILVA, Vagner Gonçalves da. Candomblé e umbanda: caminhos da devoção brasileira. São Paulo: Ática, 1994.
VERGER, Pierre. A contribuição especial das mulheres ao candomblé do Brasil. In: Artigos. São Paulo: Corrupio, 1992.  
BATISTE, Reginaldo. Os candomblés de São Paulo: A velha magia da Metrópole nova. SP: EDUSP. 1991

Recomendação: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-09082004-085333/pt-br.php  (DANÇA no Candomblé)

     
       





      




segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

QUESTÕES HISTÓRICAS (II)

PARTE II

Os jesuítas, que acabaram por assumir também as funções políticas da Coroa Portuguesa no Brasil, tinham o poder de “Deus” nas mãos, os cristãos tinham domínio sobre a vida e a morte do Negro, sendo senhores destes que, passavam por humilhações e torturas inimagináveis. Dá-se ai a grande importância da reparação social, pois fica explícito, historicamente, que o preconceito se respalda nas tradições brancas e cristãs que dominavam o mundo até o século XVIII e mantém considerável poder político e filosófico até hoje. 
Em outras palavras, durante séculos, as tradições dominantes ditam que, as culturas relacionadas aos negros (seres sem alma) são sobretudo demoníacas, trevosas, sem função dignificadora e, tudo que vem do negro passa ser uma hipérbole e mesmo substituição do que é ruim.
Palavras como: Denegrir, Ovelha Negra, Magia Negra, entre muitas outras, são parte cotidiana do vocabulário de muitos brasileiros que, por vezes, não se dão conta do risco e mesmo, intensidade que estas expressões podem gerar na sociedade. Inconscientemente, taxamos o que vem do negro como algo que não nos serve, não nos é bom ou mesmo totalmente rebaixado (malévolo, sem moral).
Afinal, por que tornar negro é ruim? Pois, esse é o significado da expressão denegrir, palavra que é utilizada numa denotação negativa. A observação de todas essas questões, de jogos dominação política e social, faz com que sejamos capazes de enxergar a brutalidade que o homem pode assumir e causar ao outro, em prol de um pensamento, seja ele qual for, embasado em tradições cujo objetivo seja dominar ou expandir. As vezes, a qualquer custo.  Nesse conjunto conseguimos, talvez, entender porque o negro até hoje, é visto socialmente como inferior, vítima de preconceitos, maior porcentagem de homicídio (em discrepância), ou mesmo, com relação a distribuição de riquezas. Questões que são óbvias e indiscutíveis.
Por esses e outros motivos, cotas sócio-raciais nada mais são do que reparação!
Por esses e outros motivos que, a lei 10.639/03* é mais que essencial! E deve ser aplicada!
Por esses e outros motivos, os seguidores de cultos africanos são taxados com piadas!
Por todos os motivos, os seguidores de quaisquer religiões devem ser Respeitados. Não apenas tolerados.


TORTURAS...



Podemos afirmar com veemência que ainda existem pessoas que não sabem ou, ao menos, demonstram não saber que o negro não se submetia ‘de bom grado’ aos domínios exercidos pelos brancos, assim, todas as formas de manutenção e estruturação desse poder se fez necessário, inclusive as torturas físicas e orais, com a máxima humilhação possível.


Um dos meios mais comuns de castigo aos negros, que não cumpriam os seus papéis, se é que podemos chamar de 'comum', era o Tronco, onde o escravizado era amarrado e torturado com chibatas até que os seus senhores estivessem satisfeitos. Uma animalização. A tortura, obviamente, não vinha apenas dos meios físicos, mas as humilhações eram frequentes, pontapés, bofetões e xingamentos além dos estupros que num conjunto de atos tornavam o ser humano um objeto, um ser desprezível, inútil, triste e muito infeliz.
           O requinte de crueldade era o suficiente para manter certa “paz”, embasada no medo, entre as raças. Mas, mesmo assim, surgiriam levantes, guerrilhas, assassinatos e organizações, como os quilombos que reagrupariam os negros no afã de recuperar a sua humanidade.





  *LEI 10.639/03 - Acréscimo na Lei 9394/96
Art.26 - Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

QUESTÕES HISTÓRICAS (I)

PARTE 1



Assim como a Diáspora Negra para o Brasil, a estadia do negro em terra desconhecida não foi fácil. Isso porque, enquanto objetos, não tinham direitos, apenas deveres a cumprir como executores dos trabalhos manuais para a manutenção do poder e vida do homem branco e cristão.
Quando o povoamento do país se deu, o negro, mão-de-obra fundamental do plantio da cana-de-açúcar, do café, ou mesmo dos garimpos, em busca de ouros e diamantes, era a base fundamental do sustento da economia. Para tal viviam em condições subumanas, no qual recebiam apenas o básico necessário para a sobrevivência (alimentos) com pouco descanso e muito castigo. Oprimido desde sua essência.
Antes ainda, que o Brasil fosse povoado, surgiam as reformas cristãs que visavam uma livre interpretação dos preceitos bíblicos. Em 1517, Martinho Lutero lança as 95 teses que modificaria as visões sobre as ações cristãs dali para frente. Esse movimento protestante ganha forma e força nos mais diferentes países da Europa e intriga a Igreja Católica que logo estabelece o caos no mundo.
Com medo das mudanças políticas que o surgimento dos protestantes poderia causar, a igreja convoca o Concilio de Trento (1545), visando a resolução dos conflitos e o sufocamento da reforma protestante. Isso foi a chamada Contrarreforma. Dentre os planos de medidas tomadas pela Igreja Católica, estão a retomada do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição), a Lista de Livros Proibidos (Index), manutenção do Celibato e também uma edição nova de Catecismo, entre outras medidas.


JESUÍTAS...?

Com as novas medidas estabelecidas pela Igreja Católica, a Inquisição e sua nova edição do Catecismo terão papeis fundamentais para o desenvolvimento, por meio da opressão, da religião Negra do Brasil.
Portugal, país que colonizou o Brasil, tinha uma estreita relação com a Igreja Católica e em suas caravelas traziam os padres que, rezavam as missas e abençoavam a nova terra, “recém-descoberta” que em muito ajudaria a manter a metrópole fadada ao insucesso. Assim, cabia aos Padres Jesuítas a função da educação, ou melhor, reeducação dos indígenas e negros aqui no Brasil.


A Ordem dos Jesuítas não foi, entretanto, criada só com fins educacionais; ademais, parece que no começo não figuravam esses entre os propósitos, que eram antes a confissão, a pregação e a catequização. Seu recurso principal eram os chamados “exercícios espirituais”, que exerceram enorme influência anímica e religiosa ente os adultos. Todavia pouco a pouco a educação ocupou um dos lugares mais importantes, senão mais importante, entre as atividades da Companhia.
(LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 7. ed. São Paulo: Editora Nacional, 1975.)


Obviamente, o papel inicial dos Jesuítas se restringia aos aspectos religiosos, mas sua força política seria logo percebida pela Igreja, pois, eram os olhos do Papa, que exercia o poder político em nível mundial, sem contar o poder neles investido pela metrópole, como podemos observar nas palavras de Azevedo (1976):


(...) educadores, por vocação, mestres notáveis a todos os respeitos, eles puderam exercer na colônia, favorecidos por circunstâncias excepcionais, um verdadeiro monopólio do ensino, a que não faltava, para caracterizá-lo, o apoio oficial que lhes deu o governo da Metrópole, amparando-os, Gustana sua missão civilizadora e pacífica, com largas doações de terras e aplicações de rendimentos reais dotação de seus colégios.
(AZEVEDO, Fernando de. A cultura brasileira. 5. ed. São Paulo: Melhoramentos/INL, 1976. Parte 3: A transmissão da cultura.)


O NEGRO NÃO TEM ALMA, MAS O ÍNDIO TEM!

(foto de universoracionalista.org)


De modo que a Igreja precisava da propagação da fé cristã, os catequizadores começaram por defender, depois de certo tempo, a necessidade da conversão dos indígenas alegando que, ao contrário dos negros, o indígena tem alma e assim, como criatura de Deus, precisaria de uma atenção especial e não poderiam, para tanto ser escravos-objetos de posse. Apenas trabalhar em troca dos escambos e das aulas sobre a fé cristã com sua posterior conversão. Assim, começa a ruptura entre a aristocracia da nova sociedade com a Igreja Católica. Mais tarde, Marquês de Pombal expulsa os jesuítas do Brasil.


(Gustavo Barros)

OS NEGROS SÃO ARRANCADOS DE SUAS TERRAS

(O castigo - Jean B Debret)

      Como característica dos povos africanos, as tribos guerreavam entre si e formavam assim, grande número de escravos de guerra. Desde os anos 700, com a expansão da cultura Islâmica, a África foi se modificando e a estrutura escravista tomando a forma do sistema de modo de produção que conhecemos. Mas, nada foi tão cruel quanto a Escravidão proporcionada pelos europeus, que tinham certo 'requinte' de crueldade e sede de dominação e morte!
      Assim, nas trocas por produtos diferenciados, os europeus compravam os negros e os vendiam para o ocidente. Foi a partir de 1530 que se dava o povoamento do Brasil e com isso, a formação de uma sociedade dominadora branca e cristã (católica) na nova terra.

TRÁFICO NEGREIRO


(...) Negras mulheres, suspendendo às tetas  Magras crianças, cujas bocas pretas  Rega o sangue das mães:  Outras moças, mas nuas e espantadas,  No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs!  (...) Dizei-me vós, Senhor Deus! terra Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus?! Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas De teu manto este borrão?... Astros! noites! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão!  (...)
(Castro Alves - Navio Negreiro)





É mais que evidente que os negros vieram para o Brasil numa situação de desumanidade e dominados pelos brancos que os conduziam à nova Terra de modo cruel já que eram apenas objetos sem alma, como atestava a fé cristã. Bastam algumas pesquisas sobre os concílios cristãos ou famosos sermões para entender que, o negro não passava de uma mera mercadoria. Pessoas perdidas e posicionadas nas crenças do 'demônio'. 




ENFIM, O RESULTADO...


     Obviamente, como resultado de toda essa submissão social, seria impossível não perceber uma atual sociedade de desigualdades e de muitos oprimidos. O resultado de todo pensamento e ação cristã sobre os negros e sua cultura é o PRECONCEITO vigente. Afinal, se em sua visão inicial, o negro não tem alma e é objeto amaldiçoado, por que suas crenças seriam bentas?!?!
     Definir, abordar e explicar esse tema nunca é demais, ainda as discrepâncias sociais são muito grandes, a desigualdade, infelizmente, se faz presente na sociedade. O preconceito cultural e religioso sobre o negro é muito grande. Afinal, ainda ouvimos taxações acerca das religiões de matriz africana, ainda ocorre o repúdio à fé negra bem como suas vestes (torços, turbantes, batas, saias, colares...) e seus costumes!
     
"Se wo were fi na wosankofa a yenkyi"
"Não é errado voltar atrás pelo que esqueceste"
                                                                                                                                  (Gustavo Barros)