foto de: http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/as-irmandades-leigas.htm
Iya Adetá, Iya Akalá, Iya Nassô, Babá Obitikô e Babá Assiká! Esses são os
cinco nomes que, de forma obrigatória, estudamos e vivenciamos ao entrar para
as tradições ketu. Isso porque, a ancestralidade é o quesito elementar dos
aspectos religiosos ligados à África. Vivenciamos os nomes, chamamos por todos
aqueles que vieram antes de nós, sendo eles importantes para as tradições. As
pessoas que se fizeram importantes para o Axé,
depois de mortas, ainda são vivenciadas, numa prova de que, para os religiosos,
a morte não é um fim, apenas uma mudança do Estado da Consciência (ou plano),
portanto, para sempre os nomes comporão as orações do candomblé.
Algumas pesquisas divergem entre si sobre a identidade e mesmo sobre a
origem fatídica da religião. Mas, de modo geral, podemos dizer que, já nessa época (séc.XVIII),
como sempre foi, os negros cultuavam seus ancestrais divinizados – os Orixás,
de forma individual, assim Iya Adetá, Iya Akalá e Iya Nassô resolveram se
juntar com Obatossi, de nome civil, Marcelina de Jesus (filha de santo de Iya Nassô,
alguns dizem que era prima de sangue também) e, cada uma com seus ancestrais
resolveram fundar um ‘culto’ em conjunto, onde estabeleceriam como adorariam e
as hierarquias. Óbvio que, a junção dessas mulheres se deu graças à dois babalaôs
(pais do segredo) Bangboshê Obitikô e Babá Assiká.
Babalaôs são homens que se iniciaram no culto de Ifá, onde aprendem desde
criança, por isso está ligado às tradições familiares, os segredo dos Odus
(marcas do destino) e seus desdobramentos sob as visões da vida, dos orixás e das tradições
africanas.
A Bahia, nesta época (Final do Séc. XVIII) vivia um grande ‘boom’ econômico
e então recebia muitos navios e povos de diferentes locais, devido o tráfico
negreiro ilegal e as trocas comerciais, principalmente Salvador. O Estado também
vivia uma diferenciação, o surgimento dos negros livres e alforriados que, de
alguma forma, ascendiam financeiramente (mesmo que de maneira modesta, claro).
O ponto culminante que propiciou o surgimento do candomblé, reunião de
cultos, da forma que conhecemos hoje está relacionado com a Igreja Católica da
Barroquinha em Salvador, hoje não existe mais essa igreja, no local há um
centro histórico. Dentro dos cultos católicos o surgimento das irmandades se
fez presente e importante na sociedade e ganhou muito mais notoriedade quando o
Conde do Arcos (que era o Governador-geral vigente) se tornou membro de honra,
levando assim, outros a buscarem ingresso na Irmandade dos Martírios e entre as
mulheres Irmandade dos Rosário dos Pretos. Onde inclusive as negras se faziam
presentes. Assim, nos arredores da Barroquinha (terreno dos fundos), Iya Nassô e
sua filha Obatossi, Iya Akalá e Iya Adetá originam o culto aos ancestrais, pois
passaram colocar os assentamentos de seus orixás juntos, formando um culto
semelhante ao atual candomblé.
Tatto Barros
Fonte: Gaiaku Luiza. Carvalho, Marcos de. Pallas, 2006

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